sexta-feira, 23 de julho de 2010

Amo as coisas simples da vida...




Adoraria gostar das coisas simples da vida.
Porém eu as amo demais!
O ruim é gostar também das coisas complexas da vida.
A rosa vermelha arrancada, morta, sinto pena dela.
Mas recebê-la como um gesto de amor?
E com uma fita vermelha?
De surpresa, quando o amado aparece na escada rolante, numa beca só!
Tão simples!
Aí é covardia!
Amo a simplicidade de quem, alegre é, sem se questionar a respeito, por viver o presente de estar vivo sem pensar no ontem nem no amanhã.
Amo a raridade de minha pele, ainda pele de mulher, mesmo que sempre seja, mas tão intensamente sentindo-se, ser tocada e eu sentir o toque e tocar com autenticidade, como se dos corpos tocados e das vozes ali aparecidas entre suspiros, surgisssem um "eu te amo".
Mas não amo o anseio, o medo, a incredulidade.
A incapacidade de perdão.
A falta de humildade para pedir e aceitar desculpas.
Não amo nossa fraqueza humana, e amo o fato da humanidade ter a fraqueza.
Gostaria de amar mais e verdadeiramente as coisas simples da vida!
Você poderia me ensinar?
Ensinar, sim, a identificar as coisas simples da vida.
Não lembro delas, ou não as conheci.
Não as identifico mais?
Não dá pra brincar de que o Richard Gere vai aparecer sorridente com uma rosa simples, num gesto simples, do nada!
Quero o simples mais simples!
Será que eu gostaria da Vieira do pescador?
Onde está a simplicidade?
O oposto da simplicidade, o interesse súbito e crescente pelo complexo, mostra que há, na minha, talvez na sua, muitos complexos.
Buraquinhos, feridinhas, lacerações, desastres escondidos lá no fundo dos sentimentos guardados ou escondidos na Caixa de Pandora que guardamos em nosso cérebro.
Aí não procuramos as coisas simples para viver, e sim os obscuros caminhos que levam a questionamentos que não têm respostas simples.
Ah, mas quando a porta da curiosidade se abre, convidando nossos monstrinhos que saem da caixa, a da cabeça, a passear...
A simplicidade passa despercebida.
Uma rosa é pouco!
Por que só uma rosa e não uma jóia ou um carro?
Por que você, e não ele?
Por que esta vida, e não outra?
Por que no filme, e não na vida real?
Por que amar, e não se amar?
Por que se amar, e não aceitar o amor?
Por que a vida tem algo além?
Tem? Quem disse?
E nisso o tempo passa.
E não dá para amar as coisas simples da vida.
Complicou demais.
Ficou complexo.
E este complexo não foi tratado.
E mesmo assim, a primeira pessoa, tanto do singular quanto do plural, diz, numa concordância ideológica: Amo as coisas simples da vida!
Como via de regra, pregam as terceiras pessoas.


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