quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Difícil Explicar
E nesse belo dia, a balança pende para essa tal pessoa em detrimento de outra. E começa um outro drama, em que se torna complicado gerir a dedicação de parte a parte, em que o emocionado não admite/compreende/aceita que haja uma outra figura na mesma linha sentimentalista. Até que se apercebe que são mais.
Porque ao contrário de determinadas cordas bambas, há aqui uma delicada força mental à qual sou completamente alheia (o meu talento destrutivo matá-los-ia a todos em questão de nanossegundos), mas que por outro lado é completamente sustentada por uma vigência comum de muito tempo e conhecimento. E quem chegou mais tarde, até que a teia emocional lhe permita passar à frente na fila, irá ter que ficar no seu posto.
Claro que isto suscita ataques ao ego de qualquer um, sobretudo quando se trata já da minha habitual gélida presença.
Fear not, oh brave one. You wouldn't stand in that line for another moment it l'd not be strong enough to keep you there.
São estranhos desígnios. por vezes difíceis de explicar.
sábado, 8 de outubro de 2011
O Perdão de um Segundo
Há momentos que precisamos contar com um apoio que chega sem a presunção do pedido, que seja sincero, amável, seja eterno.
E esta eternidade que seja repleta de lembranças, de olhares e pensamentos que recordem sentimentos, gestos, abraços. Que seja completa e perfeita como o vento, que nunca cessa ao seu sopro, levando esperança aos que esperam.
Que estes olhos sejam lembrados por tantas vezes brilharem a ver que a vida reinicia no amanhecer, por ter transmitido felicidade através de uma profundidade que poucos compreendem. Este olhar que um dia observou toda uma vida, agora possa voltar a si mesmo, e contemplar um coração que muito viveu, muito suportou. Um coração que não cansa de bater, jamais cansou. Um coração que já se amargurou, já se fez derramar lágrimas, bateu forte demais, já fez sorrisos serem transmitidos, e que já sonhou.
Que estes sonhos sejam lembrados como utopias que se tornaram realidade, outras não. Sonhos almejados na simplicidade, outros até modificados, mas jamais esquecidos. Pois quem não sonha não envelhece, contabiliza dias, que no final, podem encerrar a conta com uma fortuna que não pode ser avaliada, somente relembrada.
Que estes lábios sejam lembrados por palavras ditas para espalhar o amor, pelos sorrisos que surgiram de sorrisos alheios e, da mesma forma que apareceu na minha face e moldei em outras.
Que estas mãos sejam lembradas pelas vezes que ajudaram a erguer outras mãos, pelas vezes que abraçaram firmemente aqueles que eu não queria que partissem. Que estas mãos sejam valorizadas por serem tão calejadas.
E a saudade que sinto faz-me lembrar que o amor ainda existe, que um dia pude chamar alguém para escutar as minhas histórias! Seja para lembrar que os dias passam, mas podem ter continuação em outros. Que esta saudade boa de sentir, de lembrar tantas coisas, seja um auxilio para poder, um dia, reviver todas elas.
E os passos deixados para trás sejam para mostrar que um ideal foi seguido, que curvas foram feitas no meio do caminho, mas que ao final, tantas pegadas irão encontrar outras tantas. Estas pegadas, no meio do percurso, cruzou outras, até modificou direções. Algumas vezes já se perderam, mas souberam reencontrar o caminho.
Que estes ombros possam ser lembrados pelas vezes que serviram de encosto. Pelas vezes que enxugaram algumas lágrimas.
E as vezes que pedi perdão sejam lembradas para mostrar que já errei, mas reconheci as minhas falhas. Não tive razão em todas as vezes, mas procurei compreender. E assim eu não me esqueça o tanto que já vivi, e que minha vida significa muito para alguém, e jamais eu possa cansar de arriscar.
E que a vida seja lembrada pela sua intensidade, pois cada momento já é o suficiente para lembrar que ser forte é continuar onde tantos param.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
que magoa, abandonar o que nos faz mal, libertar-se de coisas que nos
prendem. Espere sempre o melhor, prepare-se para o pior e aceite o que
vier. Ouse, arrisque, não desista jamais e saiba valorizar as pessoas
que realmente te amam, esses sim merecem seu respeito. Quanto ao resto,
bom, ninguém nunca precisou de restos para ser feliz!!!
(…) Aprende que não importa em quantos pedaços o seu coração foi
partido: simplesmente o mundo não irá parar para que você possa
consertá-lo. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar atrás.
Portanto, plante você mesmo seu jardim e decore sua alma – ao invés de
esperar eternamente que alguém lhe traga flores. E você aprende que,
realmente, tudo pode suportar; que realmente é forte e que pode ir
muito mais longe – mesmo após ter pensado não ser capaz.
Basta uma palavra verdadeira saída do fundo desse pedacinho e deixo de estar só triste porque um puzzle se constrói dentro do meu peito.
Cada um com a sua forma enriquecem a caixa que os guarda no seu interior.
Sou quem sou porque quem se vai cruzando na minha vida me modela, fortifica e inspira.
Quando muitos não se conseguem expressar por palavras, usam os seus braços para me apoiar e mimar.
Sou obrigada a ser feliz, porque nem uma lágrima me deixam derramar.
Talvez muitos não saibam, (porque os tento não preocupar comigo - fazer-me de dura), mas o maior dos meus medos é a solidão.
Medo esse sobre a forma de uma noite fria e escura.
Ao fim de algum tempo de afastamento e a tiritar de receios, acabo por ver pequenas luzes que se encaminham para mim.
Os meus amigos estão a chegar, sem medo de se perderem nessa noite em meu redor.
Obrigada por estarem vigilantes.
Obrigada por considerarem a minha condição de estar bem, fundamental para também vocês se sentirem bem.
Sabem que os elogios não saem fácil da minha boca.
Não quero que estas palavras sejam tomadas como agradecimento.
Elas são muito pouco que eu devo a cada um de vós.
Um abraço, um beijo, um ligar importante no meu coração.
Amigos, tenho vocês presentes em mim todos os dias da minha vida.
Obrigada à todos por fazerem parte da minha história!
Os amigos que nos surpreendem são lufadas de ar fresco nos dias que passam
Quando alguém nos tira do sério, quando alguém nos deixa lívidos como cal.
Quando existir já não chega e agir se torna imperioso.
Desta matéria se fazem os amigos como as pessoas que verdadeiramente interessam e por que vontade do destino atravessam a nossa vida.
São estas pessoas que interessam.
São os não consensuais, os não enquadráveis, os que nos dizem que viver é sempre uma aventura, que cada momento pode ser significativo, que cada dia pode ser um ato de renovação.
Que viver verdadeiramente não se esgota na capacidade de respirar, que cada um de nós, ser ínfimo, pode mudar o curso dos acontecimentos e que à micro-escala em que cada um se move pode mudar tudo.
Na estória dos homens, as inquietações mais pungentes sempre foram mais ou menos as mesmas.
Aquilo que verdaderamente importa esgota-se no standard da folha A4, no fio inesgotável de umas tantas palavras repetidas e mais dificilmente vividas quotidianamente.
Esmaga-os o formato conportamental das conveniências, o formato existencial linear, o anular do verdadeiro Eu, não em proveito de Nós, mas em proveito de um sistema em que a diferença, a ousadia, a liberdade e o respeito por todas as questões verdadeiramente importantes da humanidade são coisas de somenos importância.
Por força do destino, de alguma acutilância existencial e de disponibilidade para os outros, vou tendo amigos que me surpreendem, amigos que me projetam para longe, para o fio inesgotável da incerteza, do querer mais, do querer melhor, da construção initerrupta do Eu em comunhão plena como o Nós - Humanidade.
Humanidade, sem limites, sem credos, sem sexistas, sem racialistas, sem verdades absolutas, sem sanguessugas, sem bestas, com nexos, sexos e plexos.
É neste espiríto construtivista que me movo, que me encontro, desencontro e vivo.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Ich verlasse Heut' dein Herz
Me afasto de sua proximidade.
Do refúgio dos seus braços.
Do calor da sua pele.
Como crianças que outrora fomos
Jogadores - Noite após noite.
Fiéis ao espelho.
Então, nós dançamos até o dia.
Eu hoje me afasto do seu coração
Me afasto de sua proximidade.
Eu me afasto de suas lágrimas
Me afasto do que eu tive
Eu recomendo hoje seu coração
À vida, à liberdade e ao amor.
Então, estou tranquilo
Porque te amo.
Silenciosamente me afasto de você
O último beijo - perdido na mente.
Quanto de culpa você acha que deve permanecer?
Pelo que eu sinto, eu te agradeço.
Eu te agradeço por todo o amor.
Eu te agradeço na eternidade.
Eu hoje me afasto do seu coração
Me fasto do seu amor.
Eu me afasto do seu coração, sua vida, seu beijo,
Seu calor, sua proximidade, sua doçura.
Tilo Wolf
O Lugar do Morto
Percorria a estrada alienada no vento e no percurso tantas vezes repetido, quando me dei conta de algumas coisas significantes, dos mitos que criamos em torno do que já está definitivamente impresso na alma e da construção que ao longo dos anos fazemos de nós mesmos.
Não adianta querermos mais e diferente pois o nosso caminho tem padrões bem traçados que, ora nos iludem, ora nos atormentam e alienam.
A construção do indivíduo é coisa própria do mistério de existir, sem dúvida, da fidelidade que temos ou não a nós mesmos, da autenticidade que procuramos nos dias.
Olho para o todo e vejo uma nuvem bem definida de comportamentos e atitudes que indiciam que daqui para a frente não vai ser particularmente diferente.
Que o que verdadeiramente nos fascina foge-nos todos os dias das mãos inábeis para agarrar tanta imensidão.
Que o que vemos é tão só o que efetivamente vemos e o resto se esfuma nas sinapses da mente.
Gostaríamos de dar algum sentido a isto tudo e dar o rumo necessário às inquietações, mas limitamo-nos a olhar de soslaio para a vida que nos passa ao lado ou para os comportamentos em exaustiva e enfadonha repetição.
Gostaríamos de ter a solução para um corpo morto, uma solução para um comportamento desestruturado, para na realidade nos agarrarmos à infinita e suprema ordem, ao caminho seguro para algum lado, ao caminho fácil que é querer que todos gostem de nós, à falsa transparência de cumprir objetivos mais ou menos estabelecidos, mais ou menos consensuais.
Talvez esteja inscrito nos genes que não vamos abandonar uma certa forma de existir, que para todos os efeitos é uma estratégia obsoleta.
Nada nos fascina mais e nos atormenta do que a morte, morte em estado brutalmente puro.
Morto encostado ao leito frio do xisto e projetando a sombra como último impacto na natureza, aquela natureza que os vivos ainda entendem.
Morto junto ao verde crescente de uma primavera febril e explosiva, ao explendor do bacelo jovem.
Dois ou três olhares bastam para compreender a beleza horrível da putrefação, do corpo finalmente humilde e pungente na sua comunhão com tudo o que existe.
São efetivamente os dias débeis de uma primavera explendorosa, quando um corpo distraído se encontra no nosso olhar temeroso perante o que se adivinha cruel e verdadeiro.
Quando o nosso olhar rarefeito e simultaneamente atento se fragiliza e refugia no turbilhão sempre inconclusivo do nada, do vazio absoluto e do silêncio das coisas sérias.
Das coisas que nos impelem a ficar quietos, quando nós só queremos avançar deixando para trás a dor de nos sentirmos inconclusivos e sem respostas, sem chão e sem nada.
Nas últimas semanas andei por aí com a morte no caminho, a coisa estranhamente inquietante do corpo inanimado, morto, alvo.
Do corpo matriz do existir e do deixar de ser.
Do corpo abandonado aos elementos e à combustão que estes provocam.
Do corpo que segrega sucos, do corpo que exala perfumes atribuíveis às coisas mortas, às coisas que não queremos olhar, que não queremos ver, quanto mais cheirar.
Em volta dele, do morto, iludimo-nos de que compreendemos finalmente o significado da existência, o significado da vida e da sua verdadeira e curta dimensão, para logo nos redimirmos de tal conclusão e avançarmos vivendo exatamente da mesma forma, como se fossemos eternos.
