segunda-feira, 31 de maio de 2010

Amor de Margarida



A minha alma está a salvo de qualquer tentação que o diabo possa descobrir nos confins da alma ainda por civilizar.

Houve um dia em que quis desfazer-me dela, da alma.

Perdeu a utilidade no mundo que é vazio, que é despido de toda e qualquer sensibilidade.

Era um fardo demasiado intenso, um crime inocente mantê-la comigo.

Mas ela nunca me abandonou.

Arranquei-a, mas ela regressava.

Regressava sempre que ouvia a música.

Voltava porque nunca acreditei que fosse inútil, que fosse desnecessária - inútil e inócuo é o mundo.

Mas um pequeno barco é (quase sempre) virado ao contrário pela tempestade marítima.

Houve um dia em que ela regressou verdadeiramente para dentro de mim.

O dia em que o diabo me a devolveu inteiramente.

Porque era amor e não existe nenhuma tentação animalesca ou friamente social que possa competir com o amor.

E está a salvo de todos os segundos que já passaram, de todos os segundos que passarão.

No fundo, foi vendida para a ter com uma certeza merecida.

Para ser verdadeiramente minha.

Para servir aquilo que supera o próprio Deus.
*´¨) ¸.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨) (¸ Beijos*´¨) ¸.•´¸.•*´¨) ¸.•*

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Eu não me entregarei!!!




Eu não vou me entregar tão facilmente!
Ainda que a noite seja escura
Esperarei o amanhecer.

Ainda que a dor machuque
Procurarei alívio para ela.
Ainda que o adeus me magoe,
Procurarei seguir em frente!
Ainda que as circunstâncias me digam “não”
Eu darei “sim” às oportunidades

Porque não estou no mundo a passeio!
E não quero, quando morrer, não deixar
A marca da minha passagem vitoriosa
Por esta vida!
*´¨) ¸.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨) (¸ Beijos*´¨) ¸.•´¸.•*´¨) ¸.•*

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Entenda




Vivi o que tive de viver, e de nada me arrependo.
Se valeu a pena? Não sei precisar.
Entenda que meu tempo é precioso - por isso não o disperdice.
Tenho muito a viver, mas não tenho tempo a perder.
Entenda que tenho meus valores e meus defeitos, como qualquer um: mas não brinque com meus sonhos.
Sonhos são molas propulsoras. Se preciso de um empurrãozinho, os sonhos muitas vezes me impulsionam - para frente: ainda que em asas que tentem alçar vôo, essas mesmas asas sejam e são, para muitos, e mesmo para mim, às vezes, quimeras de sonhadores...
Não importa desde quando ou até quando: deixe-me sonhar...
Com o que me couber e, principalmente, com o que eu quiser.
Entenda que tenho o direito, pois não estou apenas sonhando...
Eu sou, sim, uma mulher, e sou esta pessoa mulher, observe, muito mais por fora do que por dentro... Aqui, dentro, tem a idosa e a menina: e esses pares (velha e criança) me tornam, sim, uma mulher sem sombra de dúvidas. Mas elas, as dúvidas, me fazem, evidente, humana.
Entenda: certezas tenho várias, tais quais as dúvidas. Entenda que sou humana dentro da minha capacidade de me sentir, compreender a mim e tentar fazê-lo ao redor, no que se refere ao outro, e saber, no conjunto, que há muito que não compreendo mesmo...
Por isso, não posso exigir que me entenda.
Mas... entenda...
Não estou brincando.
Vivendo estou com labor, estudo contínuo e dedicação. É uma necessidade, alegria, e "sentido" para eu prosseguir. Antes de sonhar a esmo, preciso de chão, e o aprecio firme. E chão onde posso colocar os pés é o local onde me situo pelo meu empenho.
Entenda: ando bastante ocupada, mas não totalmente sem tempo.
Dá-se um jeito... Quando se quer...
E, desculpa, já abdiquei de muita coisa sagrada para entrar nas engrenagens de jogos... vi e conheci o lado feio da vida. Chorei, sorri. Eu vivo.
Não sei se me fiz entender...
Entenda, talvez isso não esteja em seu entendimento.
Se não sabe entender a beleza da flor que não precisa ser arrancada, não precisa entender nada.
Ao menos isso,
Entenda.

*´¨) ¸.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨) (¸ Beijos*´¨) ¸.•´¸.•*´¨) ¸.•* (¸.•´ (¸.•`


Tributo




Não o faças, não desistas.

Porque se conheceste o amor, o verdadeiro, então em algum ponto foste real e exististe numa qualquer realidade.
Perdeste muito.

Perdeste tanto que ficaste com nada, quando te vês ao espelho quase não és tu. Violentaram-te, roubaram-te, foram sempre injustos.

Nunca reconheceram o teu verdadeiro valor.

E nada eles valem, são apenas mais.

Sustentam a máxima de que a quantidade nunca supera a qualidade.
Não lhes dês ouvidos.

Porque conheceste a doçura de teres um lar para onde voltar, um lugar que é teu.

Até pode estar desfeito, mas pertence-te.
Não o faças.

Não desistas.

É uma arte aprender a viver com a dor.

E o mundo precisa de ti.
Eu preciso de ti.

Porque melhoraste a minha minúscula e insignificante realidade com a tua existência simples e íntegra.

Bem, sei que nunca te reconheceram o merecido valor, que te roubaram e violentaram, mas eu defendi-te e apoiei-te.

Se desistires demonstras a minha inutilidade.

E eu herdo o nada que te pertence, o valor não reconhecido que tens.


*´¨) ¸.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨) (¸ Beijos*´¨) ¸.•´¸.•*´¨) ¸.•* (¸.•´ (¸.•`

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Fernão Capelo Gaivota





Não tenho a luz, poder, ou a vagina oceânica de engolir impérios masculinos.
Nada ganhei de homens em minha vida.
Não tive dia de princesa - se bem que este eu não queria: para mim teria de ser Estado de Rainha ou Paço de Realeza, ou o Condado de uma Condessa - devaneios meus.
Um dia ganhei um passeio e não sei ao certo o porquê, e não quero saber - não importa.
Eu estava me sentindo presa, sufocada e dormindo mal.
Se eu não respirasse ao ar livre, penso que a abulia me mataria a cada segundo mais um pouco.
No passeio, infelizmente durou pouco, idenfiquei uma gaivota.

Entre várias do grupo, ela era garbosa, solitária mas orgulhosa, porém não arrogante.
Ela parecia não pertencer ao grupo ou tentando escapar... ela tinha porte e ia pra lá e pra cá sozinha.
As outras em bando.
Eu saquei bem esta gaivota.

Ela é aquela do "Richard Bach", uma típica Fernão Capelo. Bela e iria se estouporar todinha rasgando o céu e cortando as geometrias impossíveis para as outras...
Obviamente fui ter minha corridinha com aquela gaivota. Eu não tinha asas, ela sim. Ela não tinha minhas pernas. Temos é "fernão" e "capelo" pela vida!


*´¨) ¸.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨) (¸ Beijos*´¨) ¸.•´¸.•*´¨) ¸.•* (¸.•´ (¸.•`

Amor




Sim, claro, é amor porque sobrevive aos dias de sol e de chuva e os olhos têm a cor e a imensidão do mar.

Retratam todos os dias de infância passados na praia, o riso alto e o contentamento de quem não sabe que vai morrer. E que nada é.

Claro, é amor, se dançam alegremente no espírito a esperança , levemente filosófica, a exaltação da vida e o êxtase de existir. E os olhos têm a textura de amoras silvestres numa noite agradável de Verão; são o som da Orion e do vento fresco que fala de historias magníficas e desconhecidas.

É amor.

Nem que seja um pouco se quando olhas nos olhos vês a alma e ela já viu e sentiu a desgraça, já conheceu a dor. É ríspida e dura apesar da leveza e da jovialidade.

É amor se vês isso tudo e lamentas profundamente, se quase choras por solidariedade aberta e franca.

Sim, claro, é amor.

Nem que seja um pouco, nem que seja inconsciente. Se olhas e te identificas com a imensidão do ser que contemplas.

Amor não deixa de ser isso, uma forma típica e emocionalmente forte de identificação.

Apenas amor!


*´¨) ¸.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨) (¸ Beijos*´¨) ¸.•´¸.•*´¨) ¸.•* (¸.•´ (¸.•`

CARTA DE DESPEDIDA


Afogar a mágoa em qualquer coisa, ainda que seja corrosiva, soa melhor do que deixá-la viver a vida que ainda existe em mim.
Deixá-la viver a existência que é a minha.
Lamento.
Se não estás aqui é por que , lá no fundo, nunca quisestes ficar e eu nunca quis que ficasses. É porque, lá no fundo, não existes. Já não existes. Os mortos algum dia acabam por ser esquecidos. Nunca quis eu, verdadeiramente, que ficasses.
Lamento.
Por mim. Porque todos os mortos serão esquecidos, um dia. E sei que morri. Haverá um dia em que já não saberei quem sou. Haverá um dia em que me esgotarei em pensamentos inúteis e vazios. Precedentes de atos que nunca executei. Ao que vejas, morri.
Lamento.
Que me tenhas ferido a única coisa intocável na existência humana – o meu conceito de futuro.
*´¨) ¸.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨) (¸ Beijos*´¨) ¸.•´¸.•*´¨) ¸.•* (¸.•´ (¸.•`