Quando um poeta morre, todo o mundo chora
Um pranto sem lágrimas, um choro que aflora
No peito, na alma carente de poesia
E soa, calmamente, como um triste adeus.
Quando um poeta morre, o mundo silencia.
Calam-se os loucos, ajoelham-se os ateus,
Teme o inferno o poeta que empalidece
E deixa o torpe mundo, que logo se esquece.
Dos poemas escritos nas noites aflitas,
Dos versos sensatos, das palavras benditas;
As obras intactas do artificie da língua.
Quando um poeta morre, a poesia míngua.
O tempo se contrai, a vida... a vida se esvai
Numa estrofe, num verso, num lapso, num ai!
