terça-feira, 20 de setembro de 2011

O Fantasma

A sombra flutuante sob fartos olhares
Parece um resquício de vida maltratada;
Sem rumo, fica à deriva em altos mares,
Esperando o fim da nauseante jornada.

Suas veztes translúcidas são como velas
Lançadas até os céus por rigidos mastros.
Não há vento, mas a sombra nas aquarelas
Veleja tal como imagens, sem deixar rastros.

Sob tons policromos, a figura noturna
Desaparece nos mares inconscientes;
Naufraga nos sonhos, levemente sortuna;
Mergulha em pesadelos, loucos, deprimentes.

A sombra do fantasma jaz nos oceanos,
Nas trevas absurdas dos vagos pensamentos.
O desconhecido cai em abismos profanos,
Que escondem medos, temos e outros tormentos.